Casos em investigação acendem alerta sanitário, mas médicos afirmam que risco de disseminação em massa segue baixo
O aumento de casos investigados de hantavírus no Brasil chamou atenção das autoridades de saúde nesta semana após confirmações envolvendo passageiros de um cruzeiro internacional. Apesar da preocupação causada pela doença, infectologistas afirmam que o risco de uma nova pandemia semelhante à da Covid-19 é considerado baixo neste momento. O monitoramento ocorre após registros suspeitos em diferentes regiões e acompanhamento da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Atualmente, 11 casos estão sob investigação no país. O assunto ganhou repercussão depois da confirmação de infecções em passageiros de um navio que fazia rota entre a Argentina e Cabo Verde. A situação levou países e órgãos internacionais a reforçarem protocolos de vigilância epidemiológica.
Segundo especialistas, o hantavírus possui características muito diferentes do coronavírus. A principal forma de transmissão ocorre pelo contato com secreções, fezes ou urina de roedores contaminados. Quando esses resíduos secam, partículas virais podem se espalhar pelo ar e serem inaladas por humanos.
Embora exista registro raro de transmissão entre pessoas em algumas cepas específicas, médicos destacam que o potencial de disseminação é muito inferior ao observado durante a pandemia de Covid-19.
Doença pode causar complicações pulmonares graves
A hantavirose é considerada uma doença grave por afetar rapidamente o sistema respiratório. Em quadros severos, o paciente pode desenvolver insuficiência respiratória aguda, necessitando de internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Especialistas explicam que o vírus provoca aumento da permeabilidade dos vasos sanguíneos, permitindo o acúmulo de líquidos nos pulmões. Isso pode gerar falta de ar intensa, queda de pressão arterial e necessidade de ventilação mecânica em poucos dias após os primeiros sintomas.
Entre os principais sinais da doença estão:
- febre alta;
- dores musculares;
- cansaço intenso;
- tosse;
- dificuldade para respirar;
- queda de pressão.
Em Minas Gerais, especialmente em áreas rurais do Centro-Oeste mineiro, autoridades de saúde reforçam a importância da prevenção, já que o contato com ambientes fechados, silos, depósitos e locais com presença de roedores pode aumentar os riscos de exposição ao vírus.
Como prevenir a hantavirose
Médicos recomendam cuidados simples para reduzir o risco de contaminação. Entre as principais orientações estão:
- evitar acúmulo de lixo e entulho;
- manter alimentos armazenados corretamente;
- vedar acessos de ratos em imóveis;
- usar máscara e luvas em locais fechados ou abandonados;
- higienizar ambientes com água sanitária;
- não varrer locais com fezes de roedores;
- lavar as mãos com frequência.
Especialistas também alertam para a necessidade de vigilância constante sobre possíveis mutações do vírus, mesmo diante do baixo risco atual de pandemia.
Até o momento, a OMS mantém avaliação de baixo potencial de disseminação global, mas segue acompanhando os casos confirmados e investigados em diferentes países.
Fonte: CNN Brasil

