Deputados analisam admissibilidade de propostas que acabam com o modelo 6×1; texto ainda passará por comissão especial, plenário e Senado.
A discussão sobre o fim da escala 6×1 avança nesta quarta-feira (22), quando a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados analisa o parecer favorável à tramitação de Propostas de Emenda à Constituição (PECs) que alteram a jornada de trabalho no Brasil. O relatório foi apresentado pelo deputado Paulo Azi (União-BA) e trata da admissibilidade das propostas, etapa inicial do processo legislativo.
Na prática, os parlamentares vão decidir se os textos estão de acordo com a Constituição. Caso aprovadas, as PECs seguem para novas fases de debate no Congresso Nacional.
Análise inicial na CCJ
A votação ocorre após um pedido de vista feito pelo deputado Lucas Redecker (PSD-RS), que é contrário ao fim da escala 6×1. O prazo adicional permitiu que os parlamentares analisassem melhor o conteúdo antes da decisão. Se o parecer for aprovado, as propostas passarão a tramitar de forma unificada. O próximo passo será a criação de uma Comissão Especial, responsável por discutir o mérito e possíveis mudanças no texto.
Próximas etapas no Congresso
Após a análise na Comissão Especial, o texto ainda precisará ser votado no plenário da Câmara. Para avançar, uma PEC exige apoio mínimo de 308 deputados em dois turnos. Somente depois dessa etapa é que a proposta seguirá para o Senado, onde também passará por comissões e votação em plenário.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), já indicou que pretende instalar rapidamente a Comissão Especial, caso a admissibilidade seja confirmada.
Governo apresenta proposta paralela
Enquanto as PECs tramitam no Legislativo, o governo federal optou por enviar um projeto de lei próprio sobre o tema. A proposta do Executivo busca alterar a jornada de trabalho com um processo mais simples de aprovação. A principal diferença é que projetos de lei exigem apenas maioria simples dos parlamentares presentes na votação, enquanto PECs demandam quórum qualificado.
Apesar da iniciativa do governo, a Câmara deve manter a análise das propostas já em andamento.
Diferenças entre as propostas
As medidas em debate têm o mesmo objetivo central: substituir o modelo de seis dias de trabalho por um de descanso. No entanto, apresentam diferenças importantes:
- A proposta da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) prevê jornada de 36 horas semanais, com implementação em até 360 dias;
- O texto do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) também estabelece 36 horas semanais, mas com transição gradual de até 10 anos;
- Já o projeto do governo federal propõe jornada de 40 horas semanais, sem detalhar um cronograma de transição.
Impactos econômicos e debate técnico
O tema gera divergências entre especialistas e representantes do setor produtivo. Empresários apontam possível aumento de custos e impacto na competitividade das empresas. Um levantamento da Fecomércio estima que a redução da jornada pode gerar um custo de aproximadamente R$ 158 bilhões na folha de pagamentos.
Economistas, por outro lado, defendem que a mudança deve ser acompanhada por políticas de aumento de produtividade, como qualificação profissional, inovação e investimentos em infraestrutura.
Debate nacional com reflexos regionais
Embora a discussão ocorra em Brasília, mudanças na jornada de trabalho podem afetar diretamente trabalhadores e empresas do Centro-Oeste de Minas Gerais, região com forte presença de comércio, serviços e pequenas indústrias. O avanço das propostas será acompanhado de perto por setores produtivos locais, que avaliam possíveis impactos no mercado de trabalho.
Conclusão
A votação na CCJ marca um passo importante no debate sobre o fim da escala 6×1 no Brasil. Ainda que o caminho até a aprovação definitiva seja longo, o tema ganha força no Congresso e deve seguir em evidência nos próximos meses.

