Ex-cientista do Google levanta R$ 5,4 bilhões para desenvolver IA que aprende sozinha

Mundo Tecnologia

David Silver, um dos nomes por trás do AlphaGo, aposta em inteligência artificial capaz de evoluir sem depender de dados humanos
O cientista britânico David Silver, ex-pesquisador da Google DeepMind, anunciou um investimento bilionário para sua nova startup de inteligência artificial. A empresa Ineffable Intelligence recebeu US$ 1,1 bilhão, cerca de R$ 5,4 bilhões, em uma rodada inicial de investimentos voltada ao desenvolvimento de uma IA que aprende sozinha, sem utilizar conteúdos produzidos por humanos.

A informação foi divulgada pelos veículos internacionais TechCrunch e CNBC. Com o aporte, a startup já alcançou avaliação estimada em US$ 5,1 bilhões, equivalente a aproximadamente R$ 25,4 bilhões.

Startup quer criar sistema de aprendizado autônomo

Segundo David Silver, o objetivo da empresa é desenvolver um sistema chamado “superlearner”, uma inteligência artificial capaz de descobrir habilidades e conhecimentos sem depender de exemplos humanos disponíveis na internet. A tecnologia será baseada em reinforcement learning, conhecido em português como aprendizado por reforço. Nesse modelo, a IA aprende por tentativa e erro, aprimorando decisões a partir das próprias experiências. Atualmente, plataformas populares de IA, como OpenAI, Google e Anthropic, utilizam grandes volumes de dados humanos para treinar sistemas como ChatGPT, Gemini e Claude.

David Silver ganhou destaque com o AlphaGo

O nome de David Silver se tornou conhecido mundialmente após o desenvolvimento do AlphaGo, sistema criado pela DeepMind que derrotou um dos melhores jogadores do mundo no tradicional jogo de tabuleiro Go, em 2016. Na época, o feito foi considerado um marco para a inteligência artificial moderna e ajudou a fortalecer a reputação da DeepMind na corrida tecnológica global. Além da atuação no Google, Silver também é professor da University College London, no Reino Unido.

Especialista defende IA sem dependência de dados humanos

Em entrevista à revista Wired, Silver afirmou que depender de dados produzidos por pessoas pode limitar o avanço da chamada “superinteligência artificial”.

Segundo ele, os dados humanos funcionariam como um “combustível fóssil” para os sistemas atuais de IA, enquanto modelos capazes de aprender sozinhos seriam comparáveis a uma fonte de energia renovável, com potencial ilimitado de evolução. A proposta da Ineffable Intelligence é justamente criar sistemas capazes de evoluir continuamente sem precisar de novos conjuntos de dados produzidos por usuários da internet.

Investimento bilionário chama atenção no setor de IA

O aporte recebido pela startup britânica já é considerado a maior rodada seed da Europa voltada ao setor de inteligência artificial.

A rodada de investimentos contou com participação de grandes grupos do mercado tecnológico e financeiro, incluindo Sequoia Capital, Lightspeed Venture Partners, Nvidia, Google, Index Ventures e DST Global. O movimento reforça a forte disputa global pelo desenvolvimento de modelos avançados de inteligência artificial, tema que também desperta interesse crescente no Brasil e em Minas Gerais, especialmente entre empresas de tecnologia e universidades.

Aprendizado por reforço ainda enfrenta limitações

Apesar do entusiasmo em torno da proposta, pesquisadores apontam desafios para sistemas baseados exclusivamente em aprendizado por reforço.

Especialistas afirmam que modelos desse tipo ainda encontram dificuldades para atuar em ambientes complexos e imprevisíveis do mundo real. Por isso, as principais empresas do setor seguem combinando diferentes técnicas de treinamento, incluindo aprendizado supervisionado, auto-supervisionado e reforço computacional.

Mesmo assim, o novo investimento na Ineffable Intelligence reforça a expectativa do mercado sobre a próxima geração de inteligência artificial autônoma.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *